Artistas chineses encerram contratos com grandes marcas após boicotes no país; entenda o caso


  • 25/03/2021 - 14:54
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Impasse político fez artistas chineses encerrarem campanhas publicitárias

Um impasse político entre a China e o Ocidente fez com que celebridades chinesas encerrassem campanhas publicitárias relacionadas a empresas como Nike e Hennes & Mauritz (H&M). Dezenas de artistas da China anunciaram nesta quinta-feira (25) que cortaram relações com campanhas publicitárias com as gigantes da moda.

O movimento entre os artistas chineses vem após uma união entre os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Canadá que impôs sanções a autoridades chinesas na última segunda-feira (22) por supostos abusos dos direitos humanos por parte do governo chinês. A China está sendo acusada de usar mão-de-obra forçada de uigures e pessoas de outros grupos étnicos minoritários na produção de algodão na província de Xinjiang. No final do ano passado, a norte-americana Nike e a sueca H&M divulgaram comunicados informando que não utilizariam o algodão produzido em Xinjiang por demonstrarem “preocupação” com as acusações de trabalho forçado.

Em resposta, internautas chineses incentivaram boicotes às marcas que mencionaram o suposto uso de mão-de-obra forçada por parte da China. O movimento levou artistas como Lay Zhang, Yang Mi, Jackson Wang, Victoria Song, Huang Xuan, Huang Zitao, Meng Meiqi, Wang Yibo, Han Geng, Liu Haoran a anunciaram o encerramento de seus contratos publicitários de marcas como Nike, Adidas, Converse, Lacoste, Puma, Tommy Hifiger e Calvin Klein. A atriz Dilireba, que pertence ao grupo étnico uigur, também encerrou seus contratos com a Adidas.

A China negou todas as acusações de abuso dos direitos humanos. No país, os produtos da Nike e da H&M estão sendo boicotados pelos cidadãos chineses, que acusam os governos do ocidente de irem contra os produtores de algodão do país e prejudicarem a fonte de renda e empregos da população de Xinjiang. A imprensa, o governo e internautas chineses têm se manifestado contra as acusações de mão-de-obra forçada e alegando que o trabalho de recolhimento do algodão na província é “majoritariamente feito por máquinas e não por pessoas”. Cidadãos do país também acusaram a mídia ocidental de espalhar notícias falsas sem provas para prejudicar a China. Nas redes sociais, artistas divulgaram mensagens de apoio ao “algodão de Xinjiang”.

Apesar das declarações da Nike e da H&M terem sido divulgadas no ano passado, o assunto só se tornou um impasse entre cidadãos da China nesta semana, devido às ações dos países ocidentais em um movimento político.

É importante ressaltar que, enquanto no Ocidente a discussão está embasada pelas declarações que acusam a China de comentar abusos contra a população uigur, na China o caso está sendo visto principalmente como um ataque do Ocidente à produção de algodão do país, que gera empregos e renda para sua população, visto que o país segue negando veementemente os abusos. Para os chineses, o boicote às marcas não significa defender os abusos e sim o apoio a uma importante indústria chinesa. Por esse motivo, quando anunciaram o cancelamento de suas relações com as marcas, muitos artistas alegaram estar defendendo “os interesses do país”. É pertinente, em uma relação que envolve culturas e visões políticas distintas, entender as diferentes perspectivas sobre o assunto e considerar que o Ocidente possui uma visão distante dos acontecimentos no Oriente, que por aqui quase sempre são vistos pela óptica e pelos interesses políticos e econômicos norte-americanos, e que esse distanciamento político e geográfico dificulta nossa compreensão sobre os diferentes lados da situação, que envolve também a imagem desses artistas perante o público e às expectativas de seu país.

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