“BoA 20 anos”: a trajetória da estrela que abriu portas para o sucesso mundial do k-pop


  • 25/08/2020 - 13:44
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Falar que o k-pop deve muito de seu sucesso mundial à cantora BoA não é exagero. Quem conheceu o k-pop há poucos anos talvez torça o nariz e diga que outros grupos têm feito muito mais para divulgar o k-pop em nível global nos últimos anos. E é verdade, não queremos tirar o mérito de ninguém. No entanto, é difícil falar sobre o sucesso do k-pop fora da Coreia sem falar de BoA. Para celebrar as duas décadas de sucesso da “rainha do k-pop”, vamos revisitar alguns dos principais momentos de sua carreira. É a chance para quem já acompanha BoA relembrar alguns de seus maiores sucessos e embarcar em um momento de nostalgia. Para quem é novo no k-pop ou não teve a oportunidade de saber mais sobre uma das estrelas pioneiras do k-pop, é o momento de conhecer mais sobre uma das trajetórias mais bem sucedidas da música pop coreana. Ao longo da história, reveja também alguns dos videoclipes inesquecíveis e essenciais da carreira de BoA. Vamos lá?

O marco inicial da carreira musical de BoA é o dia 25 de agosto de 2000, data do lançamento de seu primeiro álbum, “ID; Peace B”. Na época, quatro dos cinco integrantes do TXT sequer haviam nascido. Nem Chisung e Chenle, do NCT; ou Ryujin, Chaeryong e Yuna do ITZY. Vários outros ídolos da nova geração do k-pop sequer haviam nascido ou ainda engatinhavam.

No início dos anos 2000, o cenário do k-pop era bem diferente de hoje. A cultura de formar grupos de ídolos tinha começado no final dos anos 90, impulsionada pela SM Entertainment com o lançamento do H.O.T, grupo que podemos considerar como o primeiro da fórmula de ídolos do k-pop que conhecemos hoje. Depois deles, vieram o Shinhwa, o Sechs Kies, o 1TYM e os grupos femininos S.E.S, Baby V.O.X, Chakra, entre outros. No entanto, a quantidade de grupos ainda não era tão abundante quanto hoje e nem o mercado era tão estável. Nesse cenário, a SM Entertainment buscava um novo artista para recuperar o mercado que ela mesmo havia ajudado a construir. O H.O.T estava prestes a se separar, o Shinhwa ia bem mas em pouco tempo partiria para outra empresa e o S.E.S se separaria pouco tempo depois também.

O primeiro álbum de BoA, lançado quando ela tinha apenas 13 anos, teve um sucesso relativo, mas ainda não foi o necessário para estourar sua carreira. Apesar disso, já era possível perceber o talento da jovem cantora – BoA sempre se destacou por sua voz forte e por suas habilidades de dança. A SM Entertainment decidiu então apostar no mercado fonográfico japonês – o segundo maior do mundo. Nessa época, BoA começou a se preparar para se lançar no mercado nipônico e acabou largando a escola para se dedicar a carreira. No ano seguinte, ela lançou seu segundo álbum, “Don’t Start Now”, antes de embarcar na carreira japonesa e ficar um tempo afastada da Coreia.

O sucesso começou a chegar na carreira de BoA com o lançamento de seu primeiro álbum japonês, “Listen To My Heart”. A estratégia da SM Entertainment foi ousada mas deu certo: BoA foi a primeira artista coreana a estourar no mercado japonês desde a imposição de barreiras entre os países após o fim da Segunda Guerra Mundial. O disco foi lançado em 2002, mas antes mesmo do lançamento do álbum BoA já conquistava boas colocações na principal parada musical japonesa, a Oricon, com o lançamento de singles como “Amazing Kiss” e “Listen to My Heart”. O trabalho serviu também para popularizar BoA entre os fãs de anime de todo o mundo, com o lançamento de “Every Heart”, canção que se tornou um dos temas mais conhecidos do anime “Inuyasha”. O disco de estreia de BoA no Japão estreou no primeiro lugar da parada japonesa, além ser o primeiro de um artista coreano a vender mais de um milhão de cópias no Japão.

BoA se consolidava como uma cantora de sucesso no Japão, enquanto seu nome começava a ser reconhecido em outros países da Ásia. Fora da Ásia, ela passou a ser conhecida principalmente entre os fãs de anime e entre quem acompanhava a música japonesa – tinha até quem não sabia que BoA era na verdade coreana. No Brasil, revistas especializadas em anime e mangá cobriam o sucesso de BoA e seu nome já era conhecido por aqui também. Foi o início de uma relação de amor entre o Japão e BoA. Até programa de rádio apresentou por lá. O sucesso no Japão ajudou a impulsionar a carreira de BoA em seu país natal e seu próximo álbum coreano, “No. 1”, lançado também em 2002, foi um dos mais vendidos daquele ano.

O ano seguinte veio para reafirmar o lugar de BoA com estrela da música asiática, com o sucesso de seu segundo álbum japonês, “Valenti”. A faixa-título é até hoje uma das músicas mais conhecidas de BoA e o disco vendeu, mais uma vez, mais de um milhão de cópias. Enquanto as relações políticas entre o Japão e a Coreia do Sul não eram das mais amigáveis, o sucesso de BoA passou a aproximar os países e definitivamente abriu portas para que outros artistas coreanos pensassem que investir em uma carreira no Japão era possível.

Ao mesmo tempo, fãs de música japonesa de todo o mundo passavam também a se interessar pelo som da Coreia, por causa de BoA, tudo isso antes dela completar 18 anos. Nessa época, começaram a circular rumores de que BoA teria sido convidada para interpretar Cho Chang na série de filmes de “Harry Potter”. É possível até mesmo encontrar fotos em revistas da época, brasileiras inclusive, que já consideravam BoA como a intérprete da primeira namorada do bruxinho. No fim, o papel ficou para a escocesa Katie Leung. Ainda em 2003, BoA deu início à sua primeira turnê no Japão e lançou mais dois trabalhos na Coreia: seu terceiro disco, “Amazing Kiss” e o EP “Shine We Are!”, que trouxe uma parceria com a boyband irlandesa Westlife – uma das primeiras parcerias de sucesso entre um ídolo do k-pop e um astro ocidental. O sucesso de BoA possibilitou que a SM Entertainment se reerguesse no mercado e passasse a pensar em novos artistas. No final de 2003, a SM Entertainment apresentou seu novo grupo o TVXQ, em um especial de TV estrelado por BoA e pela princesinha do pop Britney Spears. A sonoridade de BoA se tornou mais madura, em 2004, a partir de “Love & Honesty”, seu terceiro álbum no Japão, que trouxe, entre outros sucessos, “Double” e “Rock With You”. O disco acompanhou mais uma turnê de sucesso no Japão.

2005 começou com o lançamento de sua primeira coletânea no Japão, “Best of Soul, que também vendeu um milhão de cópias e adicionou mais um recorde de vendas na trajetória de BoA, com as inéditas “Quincy” e “Meri Kuri”. A imagem mais madura de BoA na Coreia chegou com os álbuns “My Name”, de 2004, e “Girls On Top”, de 2005. Apesar de não vender tão bem quanto seus antecessores, dos álbuns saíram alguns dos hits de BoA mais conhecidos cantados em coreano. No Japão, o sucesso continuava. Em 2006, o álbum “Outgrow” trouxe singles do nível de “Do The Motion” e “Dakishimeru”. No mesmo ano, ela se tornou acionista da SM Entertainment e lançou mais um single na Coreia: “Key of Heart”, que ganhou um clipe emocionante estrelado por Donghae, do Super Junior. Nos anos seguintes, vieram mais lançamentos no Japão, com “Made In Twenty”, de 2007, e “The Face”, de 2008. Também em 2007, BoA visitou o Brasil para gravar um videoclipe-comercial. Ao lado de Junsu (na época integrante do TVXQ), de Tablo (do Epik High) e da pianista Jin Bora, BoA formou a AnyBand, grupo musical criado para divulgar a marca de aparelhos celulares “Anycall”, da Samsung.

2008 trouxe também a primeira tentativa da SM Entertainment para lançar uma carreira norte-americana para seus artistas, com o single “Eat You Up”, lançado por BoA nos Estados Unidos. O sucesso do Japão não se repetiu na terra do Tio Sam, mas “Eat You Up” e o álbum americano de BoA foram uma das primeiras vezes que o k-pop se arriscou no mercado estadunidense. Durante as promoções nos EUA, em 2009, BoA foi uma das atrações principais da Parada do Dia da Libertação Gay de São Francisco, um dos maiores festivais LGBTQ+ do mundo. No ano seguinte, veio mais um álbum japonês, “Identity”, e seu primeiro lançamento na Coreia após um tempo afastada de sua terra natal, com o disco “Hurricane Venus”.

Em 2011, vieram novas aventuras na carreira de BoA, com o filme coreano-norte-americano “Make Your Move” e atividades na TV coreana. BoA se tornou a jurada representante da SM Entertainment no reality “K-pop Star”, ao lado de Yang Hyunsuk, da YG Entertainment, e J.Y. Park, da JYP Entertainment. No ano seguinte, mais uma lançamento na Coreia: “Only One”, que marcou uma fase com mais participação da cantora na produção de seu trabalho. O destaque vai para a coreografia em dupla da faixa-título, que já teve Sehun (EXO), Taemin (SHINee), Yunho (TVXQ) e Minhyun (NU’EST) interpretando o par de dança de BoA nos palcos.

Em seguida, vieram participações em dramas e filmes coreanos e lançamentos menos frequentes na música. Em 2014, BoA recebeu um cargo de direção na SM Entertainment e ficou responsável por ajudar a gerenciar a questão psicológica de artistas que começam a carreira muito jovens. O álbum japonês “Who’s Back”, de 2014, e o coreano, “Kiss My Lips”, de 2015, mantiveram suas atividades na música.

BoA voltou aos realities como uma das produtoras da segunda temporada do “Produce 101”, em 2017. Na música, os lançamentos ficaram por conta de singles e participações no projeto “SM Station”, de sua gravadora. Álbuns completos só voltariam a ser lançados em 2018, com o japonês “Watashi Konomama de Iinokana” e o coreano “Woman”, e permanecem como os discos mais recentes de sua discografia. No mesmo ano ela lançou também o EP “One Shot, Two Shot”, que trouxe como singles “Camo”, “Nega Dola” e a faixa-título. Desde então, BoA tem focado em shows, lançamentos de singles e atividades na TV.

Para 2020, ela foi anunciada como uma das técnicas da terceira temporada do “The Voice” coreano. Além disso, ela deve protagonizar mais comemorações aos seus 20 anos de carreira, que já iniciaram com o lançamento de um disco tributo, com participação de nomes como Baekhyun, do EXO, e do grupo Red Velvet.

Ao longo de sua carreira, BoA conquistou diversos prêmios e bateu recordes de vendas, especialmente no Japão. Sua trajetória de sucesso em terras nipônicas aconteceu em um período em que não se via uma aproximação das culturas japonesas e coreanas e é difícil pensar em artistas do k-pop fazendo tanto sucesso no Japão sem pensar nas portas que foram abertas por BoA. Ao mesmo tempo, ela ajudou também a expandir o k-pop para outros países, como o Brasil, em uma época que o k-pop nem sonhava em conquistar a popularidade que ele possui hoje fora da Coreia. Antes mesmo de completar 18 anos, BoA já era referência na música coreana e reconhecida não apenas por seu sucesso, mas também por seu talento como cantora e dançarina. Com o sucesso dos grupos de k-pop no mercado, a carreira de BoA perdeu um pouco do destaque em uma cena que, não é exagero dizer, ela ajudou a construir. Aproveite as celebrações dos 20 anos de carreira dessa estrela pioneira do k-pop para conhecer mais sobre sua carreira, que com excelentes músicas em japonês e em coreano, ajudou a fazer do k-pop o que ele é hoje.