Entrevista exclusiva: BGYO fala sobre p-pop: “queremos mostrar como os Filipinos são inspiradores”


  • 23/06/2021 - 17:22
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BGYO que ser conectar com o público ao cantar sobre “juventude, empoderamento e amor próprio”

Se a Coreia tem o k-pop, o Japão o j-pop, a China o c-pop, o Cazaquistão o q-pop, nada mais justo que a Filipinas tenha também um termo para definir sua atual cena de música popular. O p-pop (do inglês “Philippines pop”) é mais um movimento de cultura pop da Ásia que vem conquistando fãs pelo mundo. Para conhecer mais sobre o pop filipino, falamos diretamente com um dos mais novos expoentes desse gênero. Batemos um papo com o grupo BGYO, que fez sua estreia em janeiro, já como uma das grandes apostas para popularizar a música das Filipinas internacionalmente.

“O p-pop é diferente de qualquer outro estilo pois traz nosso sangue filipino em tudo que fazemos, desde as letras, o som, a mensagem e a forma como nos preparamos e nos apresentamos”, explica Nate, um dos integrantes do BGYO. 

O BGYO (nome pronunciado como uma sigla em inglês) é um grupo de cinco integrantes, no estilo clássico das boybands, lançado pela Star Music, gravadora da ABS-CBN, emissora filipina e uma das gigantes das comunicações do país. Os cinco integrantes são Gelo, Akira, JL, Mikki e Nate.

Gelo tem 20 anos e é o líder do grupo. “Eu fazia parte de um grupo de dança que competia nas Filipinas e internacionalmente”, ele conta. Akira Morishita tem 20 anos, é descendente de japoneses e era ator e modelo de comerciais antes do BGYO. JL Toreliza tem 19 anos. “Antes de entrar no BGYO, eu cantava em carreira solo. Eu costumava participar de concursos de canto. Eu amo jogar vôlei e outros esportes. Eu gosto de comer doces como biscoitos e bolos”, JL se apresenta. Mikki também tem 19 anos e se diz amante da música e das artes. “Eu também amo jogar videogame e assistir animes, filmes e séries”, Mikki confessa. Nate, o caçula, tem 17 anos e dança desde criança. “Danço há 13 anos. Eu nasci e cresci em Chicago, nos Estados Unidos, mas agora encontrei meu lar nas Filipinas”, diz.

“O BGYO é um grupo de p-pop das Filipinas. Nós gostaríamos de inspirar e empoderar as pessoas de todo o mundo com o nosso trabalho. Queremos tocar as pessoas não apenas com nosso talento, mas com nossas personalidades e valores. Nós acreditamos que se apresentar com um grupo não é apenas uma habilidade, mas uma arte que todos podem apreciar”, apresenta o líder Gelo. “Nós somos um grupo de cinco integrantes. Queremos que o BYGO seja um grande exemplo não apenas para os jovens mas para todos no mundo. Queremos inspirar as pessoas com nossa música e com uma mensagem relevante”, completa Akira.

O quinteto fez sua estreia em janeiro com o single “The Light”. Mas esse não foi o início da banda. Antes, os rapazes passaram por um treinamento inspirado nos moldes do k-pop de preparação de artistas. “Nós tivemos um treinamento completo que incluía aulas de dança e canto, coaching, aula de ginástica, educação online, aulas de idiomas, de criação de vídeos para plataformas digitais, desenvolvimento de personalidade, maquiagem e muito mais. Durante nossos dias de trainees, tivemos a oportunidade de nos apresentar para o público como parte de nosso treinamento. Também tivemos aulas com treinadores coreanos e aprendemos sobre a disciplina e a etiqueta coreana, além das aulas de performance”, conta Gelo. A ideia da ABS-CBN era lançar um grupo masculino que representasse o p-pop mundialmente, inspirados pelo sucesso do k-pop.

Os meninos do BGYO contam que a seleção para o projeto aconteceu de forma sigilosa. Não houve anúncio de audições, como costuma acontecer no k-pop. Os rapazes foram convidados por olheiros e chamados para participar de um “projeto secreto”. “Teve uma seleção para garotos que fossem altos e pudessem cantar e dançar. Eu não sabia cantar, mas fui mesmo assim. De alguma forma, fiquei até o final da seleção e fui chamado para participar de um treinamento por uma semana. Eu não sabia sobre o que era o projeto, mas eu tive que dançar e cantar e até recebi orientações sobre meu visual. Algumas pessoas foram retiradas do treinamento, então eu fiquei feliz que eu e Kuya Aki (Akira) conseguimos chegar até o final. Depois disso, recebi uma ligação informando que fui escolhido como um dos trainees da Star Hunt Academy. Passamos por vários tipos de treinamento e testes até que só sobraram nós cinco. E agora nós somos o BGYO”, resume Nate.

“Nós fomos todos selecionados. Eu estava prestes a entrar na faculdade depois de me formar. Uma pessoa da equipe ABS-CBN me ligou e me perguntou se eu queria fazer um teste para um projeto secreto. Eu fiquei encantado então topei. Aquilo se tornou uma opção além dos estudos. Por sorte, fui aceito. Depois disso, tudo correu tão rápido até o lançamento do BGYO”, relembra Akira. Assim que aceitaram participar das audições secretas, os rapazes participaram de um treinamento, em uma academia de treinamento de ídolos da ABS-CBN, a Star Hunt Academy.

 “Nate e Akira foram os primeiros selecionados e depois fui eu e JL. Mikki foi o último a entrar na Star Hunt Academy. Nós tivemos que desistir de muitas coisas quando entramos na academia, como nossa vida normal de estudantes e o tempo que passamos com nossa família e amigos. Tivemos que abrir mão de nossa vida normal, mas essa foi uma das decisões mais importantes que tomamos”, confessa Gelo.

“Depois que entrei na Star Hunt Academy, eu não tinha certeza se eu queria continuar no projeto pois envolvia um longo processo de treinamento. Nosso chefe explicou quão duro o treinamento seria. Eu falei com minha mãe que eu não estava pronto para participar pois eu não queria interromper meus estudos. Mas a equipe da gravadora disse que eu poderia continuar estudando então decidi ficar. Eu não sabia o que aconteceria depois, mas confiei no processo e me esforcei pelo meu sonho. Agora eu amo o que eu faço e estou sempre me esforçando para ser mais bem sucedido no futuro”, contou JL.

Os meninos do BGYO contaram que, ao invés de serem incentivados a largar os estudos, como infelizmente acontece muitas vezes acontece com jovens artistas, puderam contar com uma bolsa de estudos oferecida para os participantes do treinamento. “Eu acabei participando do projeto pois eu queria me formar. Eu estava prestes a entrar no ensino médio, mas decidi não fazer isso porque a Star Hunt Academy me ofereceu ensino gratuito. Foi na hora certa, porque a mensalidade da minha escola era muito cara. Minha família estava tendo dificuldades em pagar por meus estudos. Foi um grande risco para mim porque eu não tinha experiência em cantar, dançar ou me apresentar. Felizmente, agora faço parte do BGYO”, Mikki confessa. “Eu fui o último a entrar no treinamento, três meses depois que todo o resto já tinha começado. O processo foi muito difícil para mim pois eu tinha zero experiência cantando, dançando ou me apresentando. Eu tive que duplicar meus esforços para aprender e alcançar os outros. O processo foi muito exaustivo, física e mentalmente. Apesar de tudo, foi muito difícil, mas tudo isso nos tornou melhores e mais fortes”.

A inspiração nos métodos coreanos de treinamento fizeram com que os meninos do BGYO passassem por rígidas preparações – quem conhece o k-pop sabe o quanto os artistas se esforçam antes de fazer sua estreia para o público. Com o BGYO não foi diferente. “O treinamento foi muito difícil. Você precisa estar em boa forma física e mentalmente saudável durante o treinamento. Tivemos muitos desafios durante o treinamento e muitas noites sem dormir. Quando nossos orientadores coreanos chegaram, tudo se tornou ainda mais difícil, especialmente a parte da dieta. Tivemos que passar por uma dieta muito pesada. Mas todas as dificuldades valeram a pena porque sem elas, não seríamos fortes como somos hoje”, conta Akira. 

Para Gelo, o processo foi ainda mais duro, pois ele precisava se dedicar também às suas atividades como dançarino. “Participar do treinamento na Star Hunt Academy coincidiu com um compromisso que eu já tinha assumido. Eu iria competir em um concurso de hip-hop internacional nos Estados Unidos, com minha antiga equipe de dança como representante das Filipinas. Eles me permitiam fazer as duas coisas, o que significava que eu estava treinando 16 horas por dia, todos os dias”, ele lembra. “Ser um ídolo não é fácil, você tem que estar com sua mente, corpo e coração prontos para isso. Você tem que se perguntar se você realmente quer seguir esse caminho”, reflete o líder do grupo.

O treinamento do BGYO antes da estreia começou em 2018. Desde então, os rapazes estão dedicados a preparações de canto e dança para se apresentar ao público. “Eu não sou muito bom dançarino então eu tive que me esforçar muito em cada treinamento para melhorar minhas habilidades. Outro desafio para mim foi ficar longe da minha família”, disse JL. Mas tanto esforço valeu a pena, segundo eles. Foi por meio da academia de formação de ídolos pop que os rapazes conseguiram realizar o sonho de seguir a carreira artística. “Antes do treinamento, minha força sempre foi a dança. Eu pensava em ser dançarino, eu acho que isso dá uma conexão grande e íntima com a música. Eu sonhava em explorar, criar música e encontrar minha própria sonoridade, mas acho que aquilo não era minha prioridade naquela época. Por meio da ABS-CBN eu aprendi muito, eles me deram possibilidades o suficiente para crescer como músico”, disse Gelo.

“Eu amo música, especialmente as canções românticas das Filipinas. A música é minha vida e eu não consigo viver sem ela. Minha família me influenciou e foram eles que me apoiaram a seguir na carreira de cantor”, conta JL. Ainda no mundo das artes, Akira confessa que sonhava com uma carreira diferente: “Eu era mais para o lado da atuação, eu não me via como cantor ou dançarino e não conseguia me imaginar em um grupo até então. Mas o destino me trouxe aqui então irei aproveitar essa oportunidade”.

“Eu fui exposto a uma grande variedade de gêneros musicais em minha vida, então eu tentava experimentar fazendo batidas e compondo músicas. A música que eu fazia tinha como foco o rap e não o canto pois eu não sabia cantar. Eu sou um principiante quando se fala de composição musical então eu pratico de tempos em tempos após o fim do treinamento. Eu só fui motivado a aprender a cantar quando entrei na Star Hunt Academy pois tivemos treinadores vocais no programa de treinamento”, conta Mikki. Já para Nate a relação com a música veio quase de berço: “Minha relação com a música começou quando eu era um bebê. Eu copiava o Jabbawockeez (equipe de dança de hip-hop dos Estados Unidos) quando eles se apresentavam no ‘America’s Best Dance Crew’. Depois, eu me juntei a uma companhia de dança aos seis anos de idade. Meu sonho era ser artista e isso me motivava a cada dia”.

O resultado de tantos sonhos e esforços foi expressado em “The Light”. A música de estreia dos rapazes traz uma mensagem encorajadora, lembrando que cada um de nós tem uma luz dentro de si. “‘The Light’ é sobre amor próprio, esperança e empoderamento. Se você ler a letra da música você poderá se identificar pois é o que está acontecendo agora. Tem muitos jovens que estão frustrados e desistindo de seus sonhos por causa das incertezas do momento. Por meio de nossa música, esperamos trazer uma mensagem de esperança em você mesmo para que você não desista de seus sonhos”, explica JL.

A canção vem em um momento sombrio da história do mundo pós-moderno. O BGYO fez sua estreia na música em meio a pandemia do covid-19. O momento trouxe também uma outra dificuldade para os rapazes: a concessão para o funcionamento da emissora ABS-CBN, responsável pelo lançamento do grupo, foi cassada pelo governo filipino no início da pandemia. Ao ter a autorização de funcionamento de um dos veículos de comunicação das Filipinas vetada pelo governo, o processo não apenas dificultou a estreia do BGYO, mas também levantou discussões sobre o veto à liberdade de imprensa nas Filipinas e sobre violações constitucionais, além de colocar em risco o emprego de milhares de funcionários em meio à pandemia. “Quando eles nos deram a música, foi no melhor momento para a gente pois tinham várias coisas acontecendo: a pandemia, a concessão de nossa emissora não foi renovada e estávamos em lockdown, como o resto do mundo todo. Nós estávamos naquele clima e escrevemos a letra da música em Tagalog. Ela refletiu nossas histórias pessoais e como não desistimos de nossos sonhos, não importa quantas dificuldades aparecessem. Nós esperamos que o público, especialmente aqueles que estejam passando por momentos difíceis, se inspirem pela música”, diz Akira.

“Nosso single de estreia ‘The Light’ fala sobre esperança, amor próprio, empoderamento, coragem e força. Cada parte da música significa alguma dessas coisas. Minha parte favorita é no meu rap, que fala: hora de tomar uma posição / continuar correndo até o fim / não olhe para trás, não tenha medo / eu serei aquela luz das estrelas. Essa parte se conecta comigo porque eu sinto que é hora de todos nós encararmos nossos problemas na vida e enfrentar nossos medos. Além disso, no clipe, estamos em busca da luz. Tem uma cena de que a luz vem de dentro de nós. Isso vale para qualquer pessoa, a luz está dentro de você durante todo o tempo”, fala Nate sobre a música. “O mundo está cheio de negatividade. Mas podemos mudar para melhor. Devemos seguir nossa luz interior e nos tornar a própria luz para espalhar positividade e amor para as pessoas que nos cercam. Não tenha medo de ser a luz porque a sua luz pode mudar o mundo”, aconselha Mikki.

Trazer uma mensagem de positividade em meio à pandemia fez com que o BGYO começasse sua carreira com o pé direito. “Essa pandemia realmente está sendo um momento desafiador para todos. Nós ajudamos na composição da música durante a pandemia e apenas queríamos servir de inspiração para as pessoas. Você é sempre a luz de sua vida e você tem poder para mudar o seu destino”, falou Gelo. “Como fizemos nossa estreia durante a pandemia, nós tivemos que nos ajustar ao ‘novo normal’. Tudo foi feito de forma virtual, até mesmo o nosso treinamento com nossos técnicos. É por isso que somos gratos a todos os treinadores e membros da equipe que se dispuseram a passar por essa jornada com a gente. Nós realmente queremos nos apresentar ao vivo e fazer as coisas que um grupo faz, mas agora estamos apenas esperando que tudo fique bem logo”.

“Nós queremos passar mensagens bonitas usando nossa música para ajudar a fazer mudanças positivas no mundo”, continua o líder. “Nós queremos mudar a vida das pessoas por meio da nossa música e queremos ir além da nossa zona de conforto. Além disso, queremos mostrar para o mundo como os Filipinos são talentosos e inspiradores”, completa Akira.

A motivação dos rapazes condiz com o significado do nome do grupo. BGYO é uma sigla para a frase em inglês “Becoming the change, Going further, You and I showing the world what it means to be, Originally Filipino”, algo como “ser a mudança, ir além, eu e você mostrando para o mundo o que é ser originalmente filipino”. Segundo Mikki, o nome foi uma sugestão do diretor Lauren Dyogi. “É hora do mundo saber como os Filipinos são poderosos e autênticos”, completou Gelo.

Sobre o diferencial dos filipinos que o BGYO pode apresentar para o mundo, os rapazes explicaram: “Os Filipinos passaram por muitas experiências positivas e negativas como uma nação. O BGYO traduz essas experiências por meio da música para que as pessoas possam se sentir amadas e empoderadas. Nós somos novos na cena musical e não temos medo de experimentar. É por isso que estamos muito empolgados para criar novas músicas”, disse Gelo. “Por meio de nossas músicas, nós colocamos letras filipinas para que nossas vozes, idioma e cultura possam ser ouvidos e sentidos ao redor do mundo. Nosso videoclipe de estreia também mostra muito do toque cultural das Filipinas”, acrescenta Mikki.

“Eu acho que as pessoas vão poder conhecer a cultura filipina em nossas músicas por causa das letras. Lendo as traduções irá ajudá-los a saber mais sobre a mensagem que queremos que as pessoas recebam em seus corações”, disse Nate. “Vocês podem se identificar com nossas músicas pois os temas são universais, como juventude, empoderamento e amor próprio. Qualquer pessoa pode se identificar com isso”, acredita JL.

Essas particularidades da cultura filipina também se refletem na estruturação do p-pop. Segundo os meninos do BGYO, as diferenças entre o p-pop e as outras cenas pop da Ásia está em detalhes culturais. “A cultura pop em si indica arte. Pode ser pela música, pela dança, pelo rap e outras expressões. É algo comercializável. Nós vivemos em um mundo em que podemos ser inspirados independente do idioma. O idioma é a diferença mais óbvia entre o p-pop e outras cenas da música pop, mas acho que também é pela forma como nós contamos nossas histórias por meio da música como filipinos. Nós temos nosso estilo único e inevitavelmente trazemos nossa própria cultura em nossas apresentações”, disse Gelo.

“Ao mesmo tempo que o p-pop é influenciado pelo j-pop e pelo k-pop, temos nosso próprio estilo”, acredita JL.”Cada gênero é influenciado pelo outro para criar belas melodias. Para mim, o p-pop é um gênero pop que é nosso. É diferente de outras cenas pop da Ásia pois foi criado aqui nas Filipinas e com um toque filipino. É nosso próprio som original”, completa Mikki.

“Eu diria que as Filipinas e o p-pop têm um som novo e uma cultura que qualquer pessoa, de qualquer etnia ou religião pode apreciar”, acredita Nate. “Eu acho que o p-pop pode oferecer não apenas nossos talentos, mas também o fato de que temos nossa própria jornada pessoal que esperamos que possa inspirar e motivar outras pessoas”, disse Akira.

Mas para quem é fã de k-pop, há também pontos em comum pelos quais os fãs poderão identificar algo conhecido. “Eu acho que os fãs de k-pop poderão se identificar com a similaridade em nosso método de treinamento. Somos muito disciplinados e a prática é grande parte de nosso treinamento”, disse Nate. “Tanto a música do p-pop quanto do k-pop buscam excelência em todas formas de expressão artística”, completou Gelo. Para Akira, a inspiração no k-pop é algo natural em um momento em que a cultura coreana está em evidência internacionalmente: “A influência do k-pop está em todo o mundo e é por isso que outros grupos pop se inspiram no k-pop em termos de estilo e apresentação”.

A verdade é que as Filipinas, mesmo sendo um país asiático, pode ter muito em comum também com a nossa cultura. O país foi colonizado pela Espanha, assim como nossos países vizinhos, e a aproximação com a cultura latina torna as Filipinas um país asiático com raízes bem parecidas com as nossas. “Em termos de colonização, o Brasil e as Filipinas têm muito em comum, em palavras, comidas e outras coisas como a forma de fazer festas e muito mais”, disse Akira.

Isso faz com que os meninos tenham uma visão mais próxima de nossa cultura. “Eu ouvi falar que a cultura brasileira é reconhecida por seu amor pela dança e pela música. E que os brasileiros têm vários festivais de rua. Isso é muito legal porque aqui nas Filipinas nós amamos a música e a dança também”, disse Mikki.

“Como antigo jogador de vôlei, eu conheço o time brasileiro e os jogadores são ótimos. Eu sempre assisto vídeos deles no YouTube e quero conhecê-los pessoalmente”, JL comentou. Nate comentou sobre o futebol brasileiro e disse que se aproximou da nossa cultura na época do colégio, quando estudava com algumas pessoas que falavam português.

“Eu ouvi falar que os brasileiros valorizam a família, o respeito e o amor. Como dançarino que competiu internacionalmente, posso dizer também que os brasileiros são muito talentosos. Eu acredito que vocês também tem muito a mostrar para o mundo com talentos e personalidades incríveis”, disse Gelo. “Temos muitas coisas em comum em nossa cultura. Por meio da música, podemos nos conectar ainda mais. O amor que sentimos não precisa ser impedido pela distância linguística ou geográfica”.

“Eu acho que os fãs do Brasil podem se identificar com a gente pois estamos sempre nos esforçando para estar felizes. Eu também quero cantar mais músicas em espanhol e em português para os fãs da América Latina. E podemos também ensiná-los algumas músicas em Tagalog!”, disse JL. Apesar dos conteúdos em português ainda serem uma surpresa, o grupo já divulgou o que planeja para o público latino: uma versão em espanhol de seu single de estreia, “The Light”.

“Nós estivemos treinando a versão em espanhol de ‘The Light’ já há algum tempo. Treinamos muito a pronúncia! Tivemos aulas de canto com um professor espanhol. Minhas primeiras influências na música latina foram com meus colegas na escola. Eles me recomendavam músicas aleatórias em espanhol e eu escutava elas no carro de volta para casa”, compartilhou Nate. “A versão em espanhol de ‘The Light’ é uma das versões internacionais da música. Nossa equipe contratou um tradutor e um técnico de canto espanhol. Nós realmente gostamos de trabalhar nessa versão e nos sentimos bem de pronunciar e cantar em espanhol corretamente”, Gelo acrescentou.

“Eu amei a versão em espanhol mesmo que tenha sido difícil de gravá-la. Recentemente, fizemos um cover da música em espanhol ‘Un Año’ e é uma música muito boa. Estou sempre ouvindo ela e quero cantar mais músicas em espanhol”, comentou JL. Mikki contou que eles decidiram gravar a música em espanhol para “alcançar e se conectarem com mais pessoas” e disse que tem como uma de suas influências musicais para compor a música latina, especialmente o trap e o pop cantado em espanhol.

Além da música latina, os rapazes do BGYO trazem uma bagagem das mais diversas inspirações quando o assunto é música. JL, por exemplo, citou “artistas talentosos das Filipinas”, como Regine Velazquez, Erik Santos, Gary Valenciano, Michael Pangilinan e Just Hush. Gelo, Miki e Nate concordam quando o assunto é referência musical e os três citaram o BTS como inspiração. “Eu amo como o estilo das músicas deles é versátil e eles estão sempre se reinventando. Na dança, eu gosto de Keone Madri. Eu amo a criatividade dele. Eu escuto muitos estilos de músicas diferentes então tem vários outros artistas, mas são muitos para citar aqui”, comentou Gelo. Além do BTS, Nate também citou nomes como Sam Kim, DPR Live, Chief Keef e Playboi Carti entre seus preferidos. Já Akira prefere um dos grandes ídolos da música pop da atualidade: “Eu considero o Shawn Mendes minha inspiração na música. Eu amo as músicas dele e a forma como ele se apresenta e conta histórias enquanto canta”

O BGYO mal começou sua carreira, mas já mostrou ao que veio: boas inspirações musicais, letras motivadoras e com um objetivo mais do que nobre: inspirar e encorajar as pessoas a encontrar a “luz” dentro de si. Se com poucos meses de carreira o grupo já chegou longe (os rapazes apareceram em segundo lugar na parada musical de “apostas” da Billboard), o que será que podemos esperar do BGYO nos próximos anos? “Eu espero que no futuro, o BGYO esteja ainda mais forte. Eu espero que possamos marcar e impactar as pessoas do mundo todo. Espero que possamos fazer nossa parte para fazer a indústria do p-pop crescer internacionalmente para que mais pessoas apreciem a música filipina. Nós queremos prêmios e turnês mundiais! Iremos continuar a fazer música enquanto formos saudáveis para isso. Espero que possamos marcar nosso nome individualmente como artistas também”, disse Gelo. “Meu objetivo para o BGYO e para o p-pop é ser um bom representante do nosso país para todo o mundo. Daqui a cinco anos, queremos ter feito uma turnê mundial, lançado álbuns, ganhado prêmios e quem sabe até ter nossos próprios negócios”, acrescenta JL. Nate também sonha alto e comenta que espera que em cinco anos o grupo possa fazer uma turnê mundial com estádios lotados em diferentes países.

Enquanto o grupo trabalha para realizar seus ambiciosos sonhos, os garotos também fazem planejamentos para o que fazer logo após o fim da pandemia. Afinal, eles fizeram sua estreia em um momento totalmente atípico na indústria do entretenimento. “Nós queremos ver nossos ACEs e nos apresentar ao vivo para eles. Depois da pandemia, queremos também nos apresentar em outros países”, comenta JL, citando o nome do fã-clube do grupo. “Esperamos nos apresentar ao vivo em frente aos ACEs e queremos criar um vínculo como um grupo, como ir juntos à praia”, disse Gelo, rindo. 

Para quem se interessou em conhecer mais sobre o trabalho sobre os novos nomes do pop filipino, o grupo dá a dica: “Por favor continuem nos apoiando em nossas redes sociais no Facebook, Instagram, Twitter (@bgyo_ph) e TikTok (@officialbgyo). Iremos divulgar sempre conteúdo novo no YouTube, então não se esqueçam de se inscrever”. “Iremos com certeza levar mais músicas boas para vocês e também bons conteúdos. Esperamos poder vê-los em breve e nos apresentarmos para vocês. Amamos todos vocês!”, acrescenta JL.

“Para todos os fãs brasileiros, obrigado pelo amor que recebemos de vocês. Parece inacreditável ter ACEs internacionais, ainda mais logo após nossa estreia. Se cuidem sempre e saibam que cada um de vocês possui o seu valor. Mal posso esperar para nos conhecermos pessoalmente no futuro”, comentou Gelo. “ACEs do Brasil! Amamos muito vocês. Estamos nos esforçando para poder vê-los e nos apresentar para vocês pessoalmente. Fiquem saudáveis, sejam felizes e cuidem-se de si mesmos e das pessoas que vocês amam”, finalizou Nate.

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