Entrevista exclusiva: entenda o caso de Victor Han e saiba como os brasileiros podem ajudar o baterista


  • 29/11/2020 - 09:59
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Na última semana, um caso envolvendo o baterista Victor Han chamou a atenção dos fãs brasileiros de k-pop. Tudo começou quando Victor, que é coreano nascido no Brasil, divulgou um vídeo em seu canal do YouTube, no último dia 25, relatando uma série de restrições impostas por um processo judicial que estão proibindo o artista de se manifestar em redes sociais. A partir daí, desencadeou uma série de especulações sobre o caso. Ao mesmo tempo, fãs do artista se uniram para lutar por sua liberdade.

Para entender melhor o que está acontecendo com Victor, batemos um papo com ele por telefone, onde ele nos explicou sobre sua real situação e disse como os fãs do Brasil podem ajudá-lo a superar todas as dificuldades que ele está enfrentando. Para entender o caso, é importante antes de tudo resgatar a trajetória de Victor e entender como tudo aconteceu em sua carreira e em sua vida.

Victor Han: ídolo coreano-brasileiro do k-pop e baterista “destruidor”

Victor Han Bacic Galvão, conhecido como Victor Han, nasceu em São Paulo. Sua mãe é coreana, mas veio para o Brasil com cinco anos de idade, com a avó de Victor. Ela aprendeu português desde criança, estudou no Brasil e, segundo Victor, ela fala “melhor o português do que o coreano”. Quando se preparava para se tornar uma comissária de bordo, ela conheceu Cleto Baccic, o pai de Victor. Ator brasileiro de musicais, Cleto deu a Victor o DNA artístico.

Ainda criança, aos nove anos, Victor se mudou para a Coreia com sua mãe e ficou mais de dez anos sem contato com o pai ou com a família brasileira. Felizmente, por meio da internet e das redes sociais, eles se reaproximaram. “Minha família sentia muito a minha falta e eu passei a visitá-los no Brasil”, conta.

Na adolescência, Victor passou a integrar o elenco de trainees, os aspirantes a ídolos do k-pop, de uma gravadora coreana, a Corona X Entertainment. Ele tinha mais ou menos 16 anos quando assinou o contrato com a empresa.

Talentoso baterista, quando Victor assinou com a empresa, foi questionado se gostaria de entrar numa banda como baterista. “Eu disse que sim, era tudo que eu queria fazer, ganhar dinheiro tocando minha música”, disse. Victor ficou oito anos como “trainee” nessa empresa. “Não tinha ninguém para formar essa banda. Os oito anos que eu fiquei como trainee, foram oito anos para encontrar as pessoas para formar essa banda”.

Desde a época de trainee, Victor já sentia que que lhe tratavam de forma diferente por ser mestiço e ser brasileiro. Ele explica que cada grupo do k-pop tem que definir quem será o “centro” do grupo, aquele que será o protagonista, que terá mais destaque. Quando o nome de Victor foi apontado como possível “centro” do grupo devido ao seu talento como baterista, ele ouviu: “Olha a cor da pele dele, não vai dar pra vender ele aqui na Coreia. O pessoal não vai gostar, como você vai vender uma banda com um latino?”, lembra.

Victor também conta que a empresa chegou a sugerir que ele fizesse cirurgias plásticas. “Queriam que eu ficasse com rosto de um ‘coreaninho”, conta. Ele se recusou e recebeu em resposta que “se a banda fracassasse, a culpa seria dele”.

Em fevereiro deste ano, Victor e a banda About U fizeram sua estreia oficial na cena do k-pop com o single “Who Took My Candy”, no palco do programa “M Countdown”, da emissora Mnet. Com o tempo, Victor foi ganhando popularidade pelo seu jeito irreverente de tocar bateria.

“Eu toco de um jeito diferente, eu não toco ‘bonitinho’ como outros bateristas de outras bandas daqui, como DAY6”, descreve. “Eu toco do meu jeito, do jeito que eu quero, não ligo muito para isso. O pessoal me achava meio doido quando eu estava tocando batera”, brinca.

Victor conta que gostou de chamar a atenção por ser diferente. Ele diz que começou a tocar bateria inspirado em bandas como Green Day e Blink 182. Travis Barker, do Blink, é uma de suas grandes inspirações. “Eles tocam de um jeito forte, dá pra sentir o jeito que eles tocam”. A paixão pelo rock n’ roll fez Victor estudar bateria e entender mais sobre o estilo. Linkin Park, Nirvana, Queen, Led Zeppelin foram algumas das bandas que lhe inspiram. “Tenho o sangue do rock”, disse.

No entanto, ao se deparar com uma empresa de formação de ídolos de k-pop, Victor passou também a estudar um estilo de música mais popular. “Aqui na Coreia só dá pra vender k-pop, né?”, brinca. Victor conta que estudou sobre o k-pop e passou também a compor no estilo, para se adequar ao que esperavam de um ídolo.

A estreia no About U e “expulsão” da banda

No dia 8 de março, Victor e o About U se apresentaram no “Inkigayo”, programa musica da emissora SBS. Para finalizar a apresentação com estilo, ele decidiu quebrar suas baquetas. Não foi nenhuma apresentação no estilo “arte auto destrutiva”, que popularizou bandas como o The Who nos anos 60. No entanto, o simples quebrar das baquetas gerou uma reviravolta em sua carreira.

A empresa Corona X Entertainment alegou que Victor teria agido “de forma violenta em rede nacional”, o que teria deixado a emissora descontente e proibido suas aparições. Supostamente por isso, ele foi demitido da banda.

Fora da banda, em março, ele abriu um canal no YouTube e começou a divulgar seu trabalho como baterista. O caso da “quebra das baquetas” repercutiu na Coreia e ele foi até mesmo convidado para participar de programas de TV. Como então ele foi proibido de se apresentar na televisão?

“Tenho certeza que isso foi uma desculpa. Falaram que eu fui proibido de aparecer na TV por ter feito um ‘ato de violência’, que foi algo que não foi combinado. Depois, fiquei sabendo que nem o diretor do programa nem a emissora viu problema nisso. Isso partiu da própria empresa”, disse.

Quando perguntamos porque então Victor acha que foi demitido, ele foi sincero: “Não tenho a menor ideia”. Ele conta que ficou sabendo que foi expulso e que, após ver o sucesso de seu canal no YouTube, a empresa veio cobrar uma multa milionária. “Eles disseram que eu joguei fora não apenas a minha chance, mas também as chances da empresa, dos outros integrantes e das famílias deles”, contou. “Eles disseram que a gente poderia ter sido a melhor banda da Coreia, que poderíamos ter sido como o BTS, mas que por minha causa eles perderam a chance e que agora eu teria que pagar uma multa por isso”.

Victor disse que lhe apresentaram uma conta de cerca de R$3 milhões de reais como multa de quebra contratual. “Eu fui demitido, não tenho que pagar nenhuma multa. Eles me dispensaram. Não fui eu quem disse: ‘quero ir embora, me deixem pagar a multa que que eu quero ir embora’. Eles que me demitiram. É absurdo pagar esse valor. Eu não tenho que pagar isso”, acredita.

A partir daí, desenrolou-se um processo judicial entre Victor Han e a gravadora Corona X Entertainment, em que a empresa alega que ele ainda faz parte de seu elenco de artistas. “A verdade é que eles não têm nada a perder nesse jogo. Se eu pago três milhões, eles ganham. Se eu pago a metade, eles ganham também. Eu só tenho a perder e eles só têm a ganhar”, disparou.

Nessa disputa, a empresa chegou a entrar em contato com os pais de Victor solicitando o pagamento. “Eles pensaram: o pai do Victor é rico no Brasil, vamos pedir o dinheiro pra ele”, conta.

Victor explica que a multa inclui os supostos gastos da empresa com seu treinamento e um ressarcimento pela “oportunidade que eles perderam” graças ao comportamento “violento” de Victor.

“Eu fiquei lá por oito anos e sei o que eles gastaram comigo. Eles pagaram dormitório para os membros da banda por seis meses. Eu posso pagar para eles seis meses de aluguel, mas dividido por quatro. Eram quatro membros na banda. Eu posso pagar minha parte”, disse. “Se eles pagaram alimentação, eu posso pagar por isso. Mas apenas a minha parte. Se pagaram um almoço de R$20, eu pago R$5. Foram quatro membros comendo juntos. Não tem a possibilidade de eu pagar tudo que foi gasto com os outros membros”, disse.

“Eles escreveram que eu tinha que pagar o aluguel da empresa desde que eu entrei, ou seja, por oito anos. É muito injusto eu ter que pagar o aluguel da empresa durante esses oito anos. Não fui eu, sozinho, usando a empresa durante esse tempo. Eles disseram: ‘mas empresa estava funcionando para que sua banda tivesse sucesso e você desperdiçou essa chance, então você tem que pagar o aluguel desses oito anos de investimento’”, relata.

“Nossa, se eu tenho que pagar o aluguel dessa empresa durante oito anos, então eu não sou um trainee, não sou um artista. Acho que eu devo ser o dono dessa empresa então. Devo ser o chefe disso”, disse Victor, com o típico humor brasileiro.

No meio desse processo, surgiu outra acusação contra Victor. Para sustentar a versão de que ele era “violento”, a empresa chegou a afirmar que ele teria agredido uma funcionária da empresa.

“Falaram que eu usei uma faca para ameaçar uma pessoa. Isso seria um caso de polícia se fosse verdade. Mas a polícia disse que não tinha nenhuma evidência de que isso aconteceu”, conta Victor. “Eles falaram que eu ataquei uma mulher mas não tinha mulher nenhuma falando isso. Eram só homens falando: ‘eu vi ele fazendo isso, eu acho que ele fez isso'”, relata. Segundo Victor, “essa tal moça, que ele nem sabe quem é”, no fim das contas nem apareceu no processo.

Ao mesmo tempo, um internauta surgiu, ainda no mês de março, relatando a história de que Victor teria agredido a tal funcionária. “Ele (o internauta) usou as mesmas palavras que a empresa usou para me acusar. Foi muita coincidência. A mesma coisa que a empresa escreveu quando estava me processando foi o que essa pessoa usou na internet”, diz Victor, que acredita que esse internauta agiu a mando da empresa.

Victor diz que entrou com um processo contra esse internauta e que, surpreendentemente ou não, o mesmo advogado que defendeu esse homem é o advogado que atua ao lado da Corona X Entertainment no caso sobre o contrato do baterista. “O advogado era o mesmo, é muito estranho isso. Eu ter tido problema com duas pessoas e as duas pessoas, que não têm contato, terem o mesmo advogado. Um que me processou e outro que eu estou processando”, disse.

Felizmente, Victor conseguiu vencer o processo de difamação contra esse internauta e disse que chegou a ter contato com ele após o processo. “Perguntei se ele conhecia a empresa e ele ficou só pedindo desculpas. Perguntei quem mandou ele escrever aquilo e ele disse que não podia falar”.

“Aqui na Coreia tem muitos advogados. É possível, mas é muita coincidência ser o mesmo advogado que está fazendo o processo contra mim”, acredita.

Quando perguntamos se Victor ainda tem contato com algum dos outros integrantes do About U, ele desabafou e disse que ficou “decepcionado” com eles. Segundo o baterista, os outros integrantes serviram de testemunhas contra ele no caso do contrato e submeteram ao juiz documentos escritos afirmando que ele era “violento”, que “gritava” e “brigava” com eles.

“Eles falaram: ‘o Victor era violento no dia a dia’. Como não tinham provas, fizeram os outros integrantes escreverem declarações afirmando que o Victor era violento. Disseram que eu que eu era ‘estranho e mau'”, disse. “O juiz não acreditou. Eles têm contrato com a banda, se o chefe mandar eles escreverem, eles escrevem. Isso não serve como prova. Seria a mesma coisa se minha mãe escrevesse um documento falando que eu nasci dela, que eu sou bonzinho e que ela me ama e eu apresentasse isso como prova”, disse Victor, debochando.

“Eles estavam querendo provar que tinham outros motivos para ter me demitido. Eles queriam provar que eu era violento e que me demitiram por causa da baqueta”, conta. “Foi tudo mentira e eu provei isso”.

Em outubro, Victor recebeu a notícia de que havia vencido o processo contra a gravadora. “Eu estava livre da empresa”, ele disse. A partir daí, deu início a segunda fase do processo, onde as coisas começaram a ficar mais nebulosas.

Um novo processo

Após a vitória de Victor nos tribunais, a Corona X Entertainment apresentou um recurso. Como disse Victor, esse é um procedimento “legal e justo”. “Todos podem apresentar novas provas, novos argumentos e entrar com recursos”, ponderou. O problema é que a partir daí, o processo não correu segundo os protocolos, de acordo com Victor.

Ele conta que que foram desconsideradas todas as etapas de apresentação de provas e que o juiz decidiu, arbitrariamente, que ele está proibido de fazer qualquer tipo de trabalho artístico.

“Não dá para entender. Tudo parece muito injusto. Parece que eles sumiram com todas as minhas provas. Eles não leram nenhuma das minhas provas (após esse recurso)”.

Segundo a decisão judicial, divulgada na última semana, Victor não pode “escrever letras, compor, cantar, tocar nenhum instrumento, dançar, atuar, aparecer na TV, em comerciais, em filmes, em novelas”. Ele também não pode “dublar, não pode usar redes sociais, aparecer no YouTube”. Ele está “proibido de dar entrevistas e aparecer em canais, dele ou de terceiros”. O veredito aponta que ele ainda faz parte da Corona X Entertainment e só poderia exercer atividades artísticas para a gravadora. “Nem mesmo se eu quisesse dar aulas de canto eu poderia. Não posso escrever músicas para outras pessoas também”, disse.

“No primeiro processo, pelo menos tudo correu de uma forma justa. Se esse processo estivesse correndo de uma forma normal ou que pelo menos parecesse justa, eu poderia entender que eu talvez perdi sim. Mas o que aconteceu agora está 100% claro que é muito anormal”, afirmou o baterista.

Victor disse que na nova decisão, foi relatado que ele era “rebelde” e que “desobedeceu” ordens da empresa. “Disseram que me proibiram de usar lentes de contato coloridas”, o que nunca aconteceu, segundo ele. “Disseram que eu me apresentava com uma lente de ‘uma cor nojenta’, o juiz escreveu dessa forma, que a lente tinha uma ‘cor nojenta’. Acontece que a cor da lente era da cor dos olhos do meu pai. Eu amo meu pai e queria homenagear ele”, contou. Victor disse que outros artistas, como Red Velvet, já se apresentaram usando as mesmas lentes de contato, “da mesma marca e da mesma cor”, mas apenas para ele a lente tinha “uma cor nojenta”. “Eu sempre aguentei eles falando que eu sou feio, que eu sou ruim, que eu tenho que fazer cirurgia, que eu tenho que treinar mais… mas falar que a cor dos olhos do meu pai é nojenta, isso me deu muita raiva. Eu não aguentei essas coisas”, desabafou.

“Eu fiquei mal pensando com quem eu estou lutando agora. Eu estou lutando contra algo que eu não posso vencer, algo que eu não consigo entender e sem ter a chance de lutar, sem ter a chance de me defender”, disse Victor, se questionando como foi possível que o juiz “atropelasse’ todos os passos do processo e tomasse uma decisão sem procurá-lo para se defender.

“Mesmo se eu matasse uma pessoa eu teria direito de defesa. Mesmo se eu matar alguém eu tenho que passar por todos os passos até o julgamento. Mas o que aconteceu comigo é muito, muito absurdo. É algo que não pode acontecer na vida de ninguém”.

Empresários com “costas quentes”

Perguntamos a Victor se o juiz que lhe deu ganho de causa na primeira fase do processo era o mesmo que tinha determinado, arbitrariamente, que ele havia perdido o processo no recurso e ele contou que não, disse que houve uma troca de juízes no processo. Ele disse ainda que a Corona X Entertainment é formada por empresários que se dizem pessoas “poderosas” e que podem “controlar o mercado do k-pop”.

Um desses empresários é ex-presidente da SM Entertainment e foi responsável pelo sucesso de nomes como H.O.T., BoA e TVXQ. “Ele dizia que podia conseguir prêmios pra gente. Prêmios que seriam obviamente de outros grupos, como BTS, ele afirmou que podia conseguir pra gente”, lembra. Victor conta que esse empresário se gabava de ter vencido processos contra vários outros artistas de k-pop e que foi ele quem “proibiu os ex-integrantes do TVXQ de fazerem shows”, disse Victor, citando o caso dos integrantes do JYJ, que entraram em um processo judicial contra a SM Entertainment, em 2009. “Ele fez com eles a mesma coisa que está fazendo comigo”, disse.

Victor conta também que outro diretor da Corona X Entertainment se vangloriava de ter ligações com o crime organizado. “Ele contava que resolvia tudo na força, dizia que até o dono da maior emissora da Coreia tinha medo dele”.

Diante desses adversários, Victor aponta o quanto se encontra em uma situação “injusta”. “Várias coisas estão acontecendo e tudo parece muito injusto”, desabafou.

O baterista reconhece que no seu caso, só existem duas opções: “ou eu ganho o processo ou tenho que pagar a dívida de R$3 milhões de reais”. Ele disse que seu contrato ainda tem validade de seis anos, mas explicou que não seis anos corridos. “São seis anos de serviços prestados. Enquanto não estou trabalhando, tempo de contrato está congelado”, explicou. Ele ainda deu o exemplo: se um cantor fica afastado da carreira para servir ao exército ou uma cantora se afasta porque engravidou, esse tempo não conta no período dos contratos do entretenimento coreano. “Não são só seis anos, tem que ser trabalhando”, reafirmou.

Próximos passos

Apesar das dificuldades, Victor acredita que tem grandes chances de reverter o caso. Ele disse que se sente juridicamente bem assessorado. “Meu advogado era músico, ele me ajuda muito. Nós conversamos muito sobre o caso e sobre o processo. O que aconteceu é que ele não teve chance de me defender. Ele não conseguiu tomar nenhuma ação agora. Não aconteceu nada e de repente a gente perdeu”, conta.

Agora, Victor diz que pretende solicitar o cancelamento do recurso aprovado pelo juiz. “Na próxima segunda-feira (30), vamos entrar com o pedido no tribunal e tentar cancelar essa segunda decisão. Tudo aconteceu de uma forma muito anormal. Por isso vamos tentar cancelar essa segunda decisão. Mas se não der, vamos entrar com um recurso e pedir um terceiro julgamento”, diz Victor, que se sente confiante.

“É uma situação em que eu não posso ficar calado. Só porque eles são muito mais fortes do que eu, eu não posso ficar calado desse jeito, não vou deixar”, afirmou.

Nesse ponto, Victor ressalta o poder do apoio que tem recebido do público brasileiro. “Eu acho que essa coisa de hashtag vai me ajudar muito mentalmente, isso está me dando muita coragem. Eu não entendo, parece que eu estou lutando contra alguma coisa que é muito maior do que eu imaginei. Muito mais poderoso do que eu imaginava. Fiquei muito decepcionado com as coisas que estão acontecendo. Mas vocês estão me dando muita coragem”, disse.

“Eu sempre penso que o poder da celebridade são os fãs. Se eu tenho mais fãs, eu sou mais forte. Se os fãs estão falando sobre isso, estão subindo hashtag, isso vai me dar força. Não só mentalmente, mas de forma geral”, disse. Victor ainda comparou: “Imagina se fosse um dos integrantes do BTS no meu lugar? Os fãs não iam deixar essa empresa numa boa. Nem os diretores daqui se atrevem a falar mal do BTS, eles sabem que eles são mais fortes do que eles graças ao poder que os fãs deles têm”, disse o baterista, ressaltando o poder que um grupo de fãs unidos pode ter.

“Eu estou proibido de fazer qualquer postagem em rede social ou dar entrevistas aqui, então eu não posso falar da injustiça que está acontecendo até o juiz cancelar essa decisão. Mas os fãs podem”, Victor deu a dica.

O baterista ainda disse que é muito importante que o seu caso ganhe visibilidade no Brasil. “Naturalmente o pessoal daqui da Coreia também vai ficar sabendo o que está acontecendo. Se eles ficarem sabendo, vão ficar curiosos para entender do que o Brasil está falando, para entender o que que está acontecendo. A partir daí, naturalmente eles vão ficar sabendo sobre o caso, sobre a injustiça, vão ficar sabendo sobre minha situação em que eu não posso falar nada”, disse. Victor ainda agradeceu o apoio que tem recebido do público brasileiro e ressaltou a importância de falarem sobre o assunto. “Espero que muitas pessoas leiam (essa entrevista), compartilhem e me ajudem, isso vai me dar força”, disse.

“Graças a Deus, os meus fãs do meu país, do meu Brasil, estão me ajudando. Eu realmente espero que dê tudo certo. Eu vou ganhar esse processo e prometo que vou fazer uma grande turnê aí no Brasil”, disse.

Victor contou que pretendia se estabelecer como artista na Coreia para poder voltar ao Brasil e fazer shows. “Eu amo os dois países do mesmo jeito. Eu estou aqui (na Coreia) porque eu falo coreano melhor (do que o português). Meu coreano é melhor do de que qualquer coreano. Pode pegar qualquer coreano por aí que você vai ver que eu falo melhor do que ele”, brincou. Victor disse que estudou coreano durante 15 anos e que já se sente muito familiarizado com a forma de se fazer entretenimento na Coreia.

“Eu também adoro o Brasil, quero poder fazer shows, quero conversar com os fãs, quero fazer trabalhos, mas não sinto que meu português é bom o suficiente”, disse. “Com certeza vou trabalhar no Brasil sim. Meu plano era ficar maior aqui na Coreia e voltar para o Brasil quando mais pessoas me conhecessem. Aqui, eu sinto que eu posso realmente ficar famoso com as coisas que eu consigo fazer. Eu conheço as coisas aqui, se eu for para o Brasil agora, eu não conheço nada”, disse Victor, que apontou que teria até mesmo que reaprender toda a nomenclatura musical, que conhece no idioma coreano. “No Brasil vai ser mais difícil porque eu tenho que aprender como vai ser. Claro, eu vou aprender sim, mas eu queria antes ter mais popularidade aqui na Coreia para poder fazer shows em outros países e também no Brasil”.

“Se eu ganhar o caso, eu posso fazer carreira na Coreia e também no Brasil. Se eu perder o caso, vou ter que procurar outra carreira totalmente diferente para ganhar dinheiro e para sobreviver”, disse. “A melhor saída é realmente vencer esse processo”, disse.

Apesar dos problemas, Victor está confiante. Ele conta que estava preparando um álbum em carreira solo, com cinco músicas e cinco videoclipes, que ele mesmo vai produzir. “Eu prometo que eu vou lançar esse CD, não importa o que aconteça. Eu vou começar novamente a viver minha vida de artista livre, como eu sempre quis”, disse.

“Nada pode deixar um artista calado. no meio de qualquer momento na minha eu vou ficar com a música. Eu vou ficar cantando, eu vou ficar tocando, eu vou ficar escrevendo. Se eu não tenho baquetas, eu vou tocar batera com as minhas mãos. Se eu não tiver a batera, vou ficar tocando qualquer coisa que estiver do meu lado. Se eu não tiver minhas mãos, vou fazer qualquer coisa para poder tocar. Se cortarem minha garganta para eu não poder cantar, vou fazer qualquer coisa para poder fazer minha arte, para criar e para mostrar a minha arte. Isso é a vida de um artista e ninguém pode calar um artista. Nem se fosse o presidente ou o tribunal da Coreia. Ainda mais de forma tão injusta, não vou deixar isso acontecer”, garantiu.

Você pode ajudar a dar visibilidade ao caso de Victor para que ele consiga reverter essa decisão judicial. Compartilhe essa entrevista e use as hashtags #justiceforvictorhanthedrummer, #freevictor e #victorhanlivre.

Confira o vídeo publicado no Instagram por Cletto Baccic, o pai de Victor, sobre o caso: